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O POÇO | Confira nossa crítica

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A cada mês, aleatório como o nascer de uma pessoa – ninguém não escolhe onde e como nascer, prisioneiros são rotacionados em andares diferentes de uma prisão com mais de 300 andares. Estudos são feitos com cada um deles ao entrarem na prisão sobre seus gostos alimentares. As Comidas são produzidas em cima da sugestão dos prisioneiros e rigorosamente preparada em uma cozinha de alto padrão, com um rigor digno de realeza, extremamente impecável. Na quantidade, tecnicamente, se todos os prisioneiros forem solidários, a comida é o suficiente para todos se alimentarem de forma que ninguém precisaria passar fome. 

Em cada andar, uma dupla de prisioneiros tem acesso a cama e água, além de poder levar um “item” a sua escolha. Por fim, não é permitido a detenção de pessoas menores de 18 anos nessa prisão. Aqui, alguns estão porque cometeram crimes e estão lá contra a sua vontade, outros são voluntários e estão nessa prisão porque ganharão um “certificado” que vale muito no mundo lá fora. Aqueles que estão no andar mais acima recebem a comida primeiro, porém, ninguém pode guardá-la, apenas comer em enquanto o elevador da comida está ali, servindo-os. Depois, o resto de sua comida, que inicia no andar 1 como um verdadeiro banquete, segue para o andar de baixo.

Esse é o sistema do poço. 

Um sistema rotacional que muda mensalmente, aparentemente justo, completamente aleatório e que põe em teste a “generosidade coletiva” de todos aqueles que estão no poço – se você comer apenas o que precisa, existirá comida para todos. Mas uma pergunta percorre todos os prisioneiros: em que andar eu vou cair no próximo mês? Nesse sentido, a necessidade de aproveitar o “agora” daqueles que estão nos andares acima é absurda. Os que estão em baixo, apenas desespero, pois como dizem os personagens do filme: “quem está em cima nunca vai escutar quem está em baixo.”

O filme apresenta 5 personagens que são marcantes para entender toda a dinâmica do poço. O primeiro é Goreng, o protagonista; este é aquele quem exemplifica a passagem do homem teórico sonhador para o pragmático realista. Ele entra como um homem diplomático, ponderado e comunicativo. O livro que ele carrega mostra o quão ele sonhador é: Dom Quixote. De início, repudia completamente ideia de comer o resto da comida dos outros, mas logo sede a fome e aos conselhos de seu colega de sela Trimagasi, o segundo personagem relevante.

Trimagasi é um homem vivido, pragmático e cético. Sua palavra favorita é o óbvio, repetindo-a várias vezes, o que revela sua experiência, sua falta de paciência para novatos e sua descrença para mudanças. Ele escolheu uma faca especial como seu item para dentro da prisão, quanto mais a faca corta, mais ela fica afiada – que assemelha com sua personalidade e experiência.  Ele é o primeiro companheiro de quarto do protagonista, com quem vive bons momentos. Apesar disso, no fim do mês e na mudança do andar da prisão, infelizmente a parceria entre ele e Goreng acaba, isso por causa da armadilha de Trimagasi.

Mas antes de chegar o conflito de Trimagasi e Goreng, nosso protagonista é apresentado a uma terceira personagem, Miharu, uma mulher que aparentemente procura sua filha entre os andares da prisão, sempre pulando no elevador de comidas e descendo para os andares mais abaixo. Não é revelado que item ela escolheu para estar ali, apenas é frisado o fato de ela ser tratada como louca pelos outros personagens, uma vez que, pelas regras do poço, não há criança ali, nenhum menor de idade, e mesmo que existisse, nunca sobreviveria. Logo, todos pensam que ela simplesmente enlouqueceu, o que é fácil naquela prisão.

Então, há o conflito entre conflito de Trimagasi e Goreng, onde ele é salvo por Miharu e há passagem do personagem para aquilo que há de pior naquele lugar: a loucura. Dali para a frente, o seu livro não tem mais sentido algum, nosso cavaleiro Dom Quixote descobriu que tudo aquilo eram apenas moinhos de vento, não há dragão, nem fantasias. Suas alucinações depois de ter matado e se alimentado de seu antigo companheiro de sela tem simbologias múltiplas, até bíblicas, de forma que Trimagasi se marca nele para sempre, como um trauma, mas também como aquele quem proporcionou ele estar vivo – por causa do cadáver ter virado a sua comida; mas há um lado poético sobre como se ele tivesse absorvido todo o seu ceticismo também, agora ele não era um homem de hipóteses, mas de práticas, um homem vivido. 

Dali pra frente, as alucinações parecem se comportar como instintos de sobrevivência, claro que do trauma que sofreu, mas há um simbolismo de que, agora que ele havia entendido o que o velho Trimagasi queria dizer! Agora ele tem um pouco do seu colega de sala dentro dele – literalmente! Agora, as coisas eram mais “óbvias”. Depois disso, seu companheiro de quarto não poderia ser pior, Imoguiri, uma mulher que trabalhou no Sistema do Poço, que crer nele, que “sabe como ele funciona”, que fez a besteira de escolher está ali como Goreng. A ingenuidade é impressa quando vemos que ela escolheu um cachorro fofinho como “item para levar” para dentro do poço. Ela, assim como Goreng no começo, vende todas as suas teorias do ideal, do que deveria acontecer, do que é lógico.
Afinal. Seria ela uma “comunista”, também? 

O Poço dança o ritmo do “Bom Chibom Chibom bombom”. O de cima só olha para cima, só responde o de cima, nunca o de baixo. E exatamente por isso ninguém nunca responde ninguém, o diálogo com o de baixo serve apenas para demonstrar autoridade, superioridade e deboche. Imoguiri, após tentar explicar as leis do poço, não demora para aprender sobre o que o ambiente realmente é, principalmente depois que seu cachorro foi morto por Miharu. Ali, o nosso protagonista fica ainda mais convicto de que a mulher de fato é louca, afinal, ele sabe o que é o poço, mesmo que houvesse uma criança, ela já estaria morta.

O último companheiro de quarto é Baharat, que seria a uma versão mais equilibrada e positiva dentre os que já apareceram ali. O homem quer chegar no topo do poço e, para isso, seu item é uma corda. Nesse momento, em que ele é companheiro de Goreng, eles não estão tão longe do topo, porém, era óbvio que o nosso amigo não conseguiria escalar os andares, pois precisaria da ajuda das pessoas de cima, e no sistema “Bom Chibom Chibom bombom versão Poço”, o de cima só olha pra cima, e a plataforma só desce.

Ali fica nítido o poder do imediatismo. A necessidade de aproveitar o momento bom enquanto ele existe, consumindo tudo que puder, mesmo que não precise. E é esse sentimento do imediatismo, do medo de cair em um andar lá embaixo, que faz com que o sistema seja autodestrutivo sempre. Sempre os que estão em cima vão ter medo de estar em baixo, sempre os que estão em cima, vão sugar tudo, mesmo que não precise, com medo de um dia estarem em baixo. 

Parece uma “psicologia de roubo de dinheiro público” por corrupção – o Brasil não tem sistemas públicos de saúde, educação, segurança de qualidade porque a verba deles se torna desviadas. E, se um pobre que sobe ao poder, com medo de voltar pra baixo, consome mais do que deveria (mais do que o seu salário), se corrompe, e ele cria a camada dos de baixo. Os covardes, com medo do caos, se tornam corruptos; corrompidos, eles são aqueles que alimentam o próprio sistema que é movido pelo medo. O medo é o combustível! O medo fabrica o caos, o caos fabrica medo. É um ciclo sem fim. Um sistema perfeito de desgraça. Esse é o poço, mas também é o sistema público e as instituições de países subdesenvolvidos que sofrem com a corrupção. 

E a culpa não é só dos políticos. O Poço pode ser toda uma nação também! Em tempos de Corona Vírus, onde o medo cresce constantemente, a máquina é alimentada! A máquina é alimentada pelo medo, não lembram? E ela fabrica o caos. Pessoas estocam comida em uma quantidade irracional – produtos de limpeza, álcool, dentre outros. A lei da oferta e da procura, que lucra quando o caos começa, aumenta o preço dos produtos: muitos querem, querem mais do que precisam, deixando outros sem ter o suficiente, então, torna-se “raro” o produto, o preço sobe, pessoas ficam sem.
E tudo isso porque os covardes alimentaram a máquina com medo e se corromperam, não tiveram consciência social.  

Então, nossos “heróis” Trimagasi e Baharat finalmente entenderam esse sistema de verdade. Sem sonhos, sem mentiras, sem utopias. Eles perceberam que, através da força, da violência, eles poderiam ser mais assustadores que o próprio sistema e poderiam fazer ele funcionar de verdade, a ferro e sangue. Então, os dois personagens decidem descer junto com a plataforma, armados, decidindo o que as pessoas deveriam comer para que sobrassem para aqueles que estão mais em baixo. Os nossos comunistas foram longe demais, precisaram manchar suas mãos de sangue, comportar-se como um criminoso para buscar justiça em um sistema maquiado pela meritocracia da aleatoriedade (ler-se sorte, afinal, acordar em um andar lá em cima tem o mesmo mérito que nascer em berço de ouro, lembram?).
Depois de descerem muitos andares, Trimagasi e Baharat encontram um homem que mudariam ainda mais sua visão daquilo tudo, um homem sábio que mostra que tudo o que eles vão fazer é passageiro, pois não só as pessoas que estão ali estão erradas, mas o sistema como um todo. Mudar o sistema, não é só mudar as pessoas para que faça o sistema “funcionar”. O sistema já funciona, é uma máquina do caos. O que tem que ser feito é provar que o sistema é falho. É preciso mandar um recado ao sistema, diretamente para ele, como se fosse uma entidade e ela tivesse uma autocritica sobre si mesma. 

Então, o “pudim” maravilhoso se torna a mensagem. 

Mas o que seria essa mensagem? “Olha como somos civilizados. Sabemos dividir a comida, deu para umas 600 pessoas e ainda sobrou.” Isso só colocaria a prova que Imoguiri estava certa, que o sistema funciona. Mas provaria também que aquelas pessoas são civilizadas, que existe consciência social, e por que diabos pessoas tão éticas socialmente estariam presas em um local como aquele? A lógica do poço é autodestrutiva: se ele funcionar, então, as pessoas deixam comida para todos, elas têm consciência coletiva, mas se elas têm essa virtude tão rara, por que estão presas? A falta da consciência coletiva é o que torna o sistema brutal e o que justifica as pessoas estarem presas ali – algumas estão porque querem um certificado que sabem ter consciência social, outras, porque não tem e foram presas ali! Em meio ao caos, em pouco tempo todos se tornam malucos, logo, criminosos. 

Então, o pudim talvez não fossem a mensagem que ficasse bastante clara para aqueles que estavam no sistema.

O sistema cria suas próprias regras, de forma que ele não pode ser incoerente, ele precisa obedece-las. Quando o sistema quebra suas próprias regras, o sistema vira o criminoso, ele se prova falho, agressor e sem moral alguma que o defenda. Quando você está dentro de um sistema você acredita na regra e se enfurece quando o sistema é quebrado. Em um carro, você ultrapassa no sinal verde porque acredita que vão parar no vermelho. Esse é o sistema. As pessoas podem burlar, errar (...), mas o sistema, “tem tese” é perfeito e faz com que você tenha fé nele, porque só depende de todos. Em um jogo, quando há algo que o faz trava, ou acontecer algo que não deveria, essa fé no jogo se vai também, não há razão em jogar um jogo que quebra as próprias regras que ele estabeleceu. 

Mas aí encontramos a filha de Miharu.

E sabemos que, no sistema do Poço, é “impossível” haver menores de idade. Se a criança está lá, o sistema é falho. E foi falho não porque alguém tentou quebrar o sistema, porque alguém tentou pular os andares do poço, ou trazer comida de casa, ou enfim... Ele é falho porque ele estabeleceu regras que ele não cumpriu. Por incompetência. Graças a Revolução feita por Goreng e Baharat, eles finalmente encontraram a incoerência no fim. Eles foram fortes para alimentar a criança e entender que, a mensagem era algo além da comida. 

A mensagem era que uma garota indefesa e menor de idade, o que é proibido, imoral e incoerente; presa em um local como aquele por meses, Deus sabe como, conseguiu voltar para o topo: viva, salva e alimentada. 

A mensagem não poderia ter um mensageiro, pois o sistema encontraria uma forma de justificar todo o ocorrido, desde os grandes feitos (do ato da garota está salva e bem alimentada graças a uma dupla de rapaz altruístas), até o erro de ela está ali. A garota voltar, sozinha, viva, alimentada, coloca não só o sistema de “regras” do Poço em cheque, mas também gera questionamentos sobre o altruísmo das pessoas que estão presas ali em baixo – afinal, o Sistema não sabe como aquela garota chegou ali, quem trouxe ela, como ela está bem. 

O sistema não sabe quem, ou quantos, consertaram o erro do próprio sistema. E essas pessoas estão lá embaixo, essas pessoas que fizeram esse feito heroico altruísta fantástico, podem estar passando fome, loucas, ou mortas por causa do próprio sistema que já é contestável. A revolução é a mensagem. A revolução não pode ter rosto. Não pode ser alguém. A revolução é só exercício de reação de oprimidos contra um sistema que oprime e é desleal em suas próprias regras. Foi isso o que Goreng e Baharat fizeram. Essa foi a mensagem.

Então, quanto tempo vamos demorar para mandar uma mensagem?





  1. Ficha técnica
  • Duração: 1h 34min
Gênero: Ficção científica, Terror
Direção: Galder Gaztelu-Urrutia
Elenco: Ivan Massagué, Zorion Eguileor, Antonia San Juan
Nacionalidade: Espanha
Distribuição: Netflix
Ano: 2020
Fotógrafo por acidente, Mestrando em Geografia e cinéfilo por amor.


CASTLEVANIA 3° TEMPORADA | Confira nossa análise

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Chegou no último dia 05 de março na plataforma Netflix a tão esperada terceira temporada do anime baseado no jogo sobre o castelo de Drácula. Estou falando de Castlevania produzido por Kevin Kolde e Adi Shankar, e com roteiro de Warren Ellis. E mando logo a real pra você leitor, essa temporada está mais deliciosamente macabra.

Acompanhamos a continuidade de uma Europa oriental onde criaturas perversas da noite estão soltas para matança após a morte de seu mestre, Conde Drácula. Neste cenário um grupo de vampiras aristocráticas, que a propósito, estavam tramando pela morte do conde vampirão, passam a governar certas regiões e querem ampliar seus domínios. Este se torna o primeiro arco, que é aquele que tem a pegada política da trama.

No segundo arco temos Trevor Belmont e Sypha Belnades vivendo uma vida romântica de aventuras matando monstros da noite e protegendo vilarejos. Até chegar à uma pequena cidade onde se confrontam com uma investigação que envolve uma seita satânica, ocultismo e um alquimista misterioso.

Noutro arco acompanhamos uma jornada filosófica do mestre da forja Isaac, antigo braço direito de Drácula, e ainda criador de monstros. Isaac está voltando para a Europa após ter sido enviado pelo conde vampiro através de um espelho mágico para um deserto no oriente médio. Para quem não lembra, ele foi enxotado pelo portal mágico para ser protegido. Daí nos perguntamos: por que Vlad Tepes não mandou o cara para apenas 100 quilômetros de distância? O roteiro responde com essa jornada por vários países e com diálogos interessantíssimos com personagens exóticos que defendem pontos de vista diferentes de Isaac e nos convidam a refletir sobre ética, virtudes, vingança, pecado, protagonismo, solidariedade e esperança. Verdadeiras aulas de filosofia.

No arco seguinte vemos a fatídica solidão autoimposta por Alucard, o filho de Drácula. Este personagem está cuidando de Castlevania e do antigo acervo de pesquisa da família Belmont; e pela solidão de longos 30 dias ele já está começando a falar sozinho com adereços do castelo.

É nesse período que chega um jovem casal de irmãos japoneses e caçadores de vampiros que pedem para aprender sobre como melhorar as técnicas para caçar os mortos-vivos sanguessugas. Alucard, em claro momento de carência, termina por recebê-los, ensiná-los, mimá-los e abrir seu coração para os dois jovens. Tá, também rola um ménage a trois (se não sabe o que é entenda como um perfume francês) mais pra frente. Este é o arco que claramente se vê uma tensão sexual crescente.

Confesso que nesta temporada as cenas de ação são mais pontuais, porém com uma qualidade de animação empolgante como já foi mostrado em outras temporadas. O roteiro está sombrio, gótico e inebriante com suas investigações, diálogos cheios de referências e jogos psicológicos entre os personagens. Os personagens possuem boas motivações ou melhoram as que já possuem. Até mesmo Trevor Belmont, dublado por Richard Armitage (Torin Escudo de Carvalho na trilogia “Hobbit”), passa a apresentar um pouco mais de complexidade.

A dinâmica da narrativa vai ganhando contornos de decepção com a humanidade para os protagonistas, enquanto os personagens secundários ganham status de equilíbrio sobre seus papéis. Não posso falar muito sobre o final que o ritmo da trama leva para não soltar muitos spoilers, mas se preparem para muito sangue e cenas de sexo nos últimos episódios. Um presente dos produtores para o público.

Não posso esquecer das excelentes referências na concepção de monstros e demônios. Uma direção de arte que referencia filmes de terror antigos, Kojima, Lovecraft, Alan Poe e até Digimon.

Agora vou ficando por aqui, pois vou afiar algumas estacas e preparar o meu chicote mágico enquanto espero a próxima temporada dessa saga sangrenta sobre o castelo de Drácula.

  1. TRAILER

  1. FICHA TÉCNICA
Desde 2017 / 24min / Aventura, Animação
Distribuição: Netflix
Temporada: 3
Direção Warren Ellis (II)E
Elenco: Richard Armitage, James Callis, Graham McTavish
Nacionalidade: EUA

Memezeiro, escritor, pai e amigo de um magote de fuleiro. CEO do EagoraCast Podcast, parceiro Callango Nerd.


BAD BOYS 3 | Confira nossa análise do filme

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Geralmente fico com um pé atrás quando a sequência surge anos depois do filme anterior, onde os diretores não conseguem remeter a mesma atmosfera e tão pouco os atores. Felizmente isso não é o que acontece em Bad Boys Para Sempre, mesmo sem o comando de Michael Bay, apesar de ele aparecer no filme em uma participação no melhor estilo Stan Lee.

A pergunta que mais ouvi após assistir, foi se ele era melhor que o anterior. Bem, apesar de conseguir trazer toda a atmosfera dos filmes anteriores, além do elenco (um dos maiores acertos), esse novo filme tem uma pegada mais pessoal. Enquanto nos outros a trama tinha uma visão panorâmica, focando muitas vezes nos acontecimentos, na ação colocando a dupla protagonista no meio a toda uma situação, aqui vemos uma câmera mais próxima focando mais nos personagens.

Enquanto Marcus Burnett (Martin Lawrence) pensa em finalmente se aposentar, aproveitar sua família e o neto recém-nascido, Mike Lowery (Will Smith) parece viver ainda no passado, não se convencendo de que ele está ficando velho. Esses momentos de diálogo entre eles são sempre engraçados, pois Marcus é bem escancarado em suas opiniões, enquanto Mike procura ainda viver como um garotão.

O lema "Vivemos Juntos, Morremos Juntos. Bad Boys Para Sempre" é completamente incorporado nesse filme. Nele vemos muito mais da amizade entre os dois polícias do que nos filmes anteriores. Os valores são estampados assim como a importância que cada um tem na vida do outro. Tudo isso é levado ao extremo quando o passado de Mike surge na forma de uma tentativa de assassinato, o que o faz buscar vingança a todo custo. É nesse exato ponto que a trama ganha corpo, pois, juntando a negação da velhice de Mike e a vontade de descansar de Marcus, surge o questionamento sobre quando é a hora certa de parar. Mas antes disso eles precisam resolver esse último caso, uma última vez antes de se despedirem.

Bad Boys Para Sempre traz um elenco principal mais enxuto, mas não menos carismático. Poderia comentar sobre cada um aqui, mas gostaria apenas de destacar quem mais me surpreendeu, que foi Vanessa Hudgens. Nunca vi ela em um filme de ação, mas sua performance aqui faz parecer que ela fez isso a vida toda. Versátil e segura, sua personagem uma das melhores adições desse novo filme.

Com menos explosões (sem Michael Bay, claro), a ação não perde o ritmo. Não é nada tão grandioso como o filme anterior, mas é coerente com a proposta. Já no quesito humor, esse é de longe o mais engraçado de todos. Ri que chorei muitas vezes, e até fiquei com a bochecha doendo. Will e Martin funcionam muito bem tela, e só o carisma dos caras já pagam o ingresso.

Se você está na dúvida ou não se o filme é bom, tenha certeza que sim. Apenas o final que ficou um pouquinho apressado, que poderia ter um outro resultado se fosse trabalhado com mais calma, mas fora isso é um filmaço.

  1. trailer

  1. ficha técnica
Título original: Bad Boys For Life
Lançamento: 30 de janeiro de 2020
Duração: 2h 04min
Gênero: Ação, Comédia
Direção: Adil El Arbi, Bilall Fallah
Elenco: Will Smith, Martin Lawrence, Vanessa Hudgens
Nacionalidade Americana
Distribuidor SONY PICTURES
Ano de produção 2019


Cearense com gosto de gás! CEO do Callango Nerd, cinéfilo, crítico, redator, desenhista, designer gráfico, professor de Cearensês e Mestre Jedi na arte de fazer piada ruim.


SONIC - O FILME | Confira nossa análise

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A maioria dos fãs entusiasmados com o filme vai lembrar que muita expectativa foi gerada durante e após o embaraço da primeira versão em animação do Sonic exibida pelos produtores. O problema, a partir da pressão do público desgostoso com o que viu, foi corrigido. Mas isso gerou outro problema... O trailer que se seguiu parece ter tido mais interesse em mostrar que o conserto na aparência do Sonic foi bem sucedido, selecionando muitas cenas do personagem em situações variadas, do que em mostrar outros elementos empolgantes da trama, e até de outros personagens importantes, como Ivo Robotnik, que talvez seriam bem mais interessantes para atrair o público antes da estreia. 

Por esse motivo, a apresentação do trailer, mesmo com o ânimo de ver o Sonic corrigido, não consegue convidar para o filme como deveria, e mesmo os fãs apaixonados pelos jogos e pelo desenho podem ter uma sensação – como eu tive – de que o filme pode(ria) ser decepcionante. Felizmente, o filme se sai muito melhor do que o trailer faz parecer, e a crítica da imprensa pode compensar o desastre (aos que têm interesse, aconselho assistir ao filme desconsiderando o trailer. Vá direto ao cinema, talvez a experiência seja mais agradável sem essa sensação inicial).

Na trama, Sonic (Ben Schwartz) é obrigado a sair de seu planeta natal ainda criança para sobreviver, pois seus poderes extraordinários estavam chamando muita atenção e criaturas malignas tentaram matá-lo (nem isso o trailer conseguiu deixar claro, confundindo tudo, fazendo parecer que sua missão era salvar alguma coisa que não ele mesmo). O lugar escolhido por sua protetora foi o planeta Terra. 

Então, o querido ouriço azul aligeirado passa dez anos em completo anonimato numa cidadezinha interiorana dos EUA, até ser descoberto acidentalmente quando perde o controle e causa uma explosão que faz derrubar toda a energia em todo o noroeste do Pacífico. Ninguém menos do que Dr. Ivo Robotnik (Jim Carrey) é designado para investigar os acontecimentos e tem-se início uma caçada a Sonic, que precisa da ajuda de Tom Wachowski (James Marsden) para sobreviver e conseguir recuperar seus anéis mágicos (que abrem portais) e fugir da Terra, já que seu anonimato foi comprometido.

Ainda não conheço a versão dublada, mas o original traz um belíssimo desempenho de Ben Schwartz, que vive o personagem na medida certa não parecer infantil demais, de maneira que pudesse restringir o foco a esse público. Mais alegre, extrovertido e entusiasmado que a versão dos desenhos, o Sonic de Schwartz consegue ser envolvente e encantar os fãs com um conjunto de características suficiente para agradar os que estavam com saudade e conquistar novos públicos, sobretudo o infantil (mas o que é ser criança, né?).

Sob direção de Jeff Fowler, é uma boa produção, que traz efeitos visuais bastante interessantes, personagens bem construídos e cenas de ação interessantes, além da milagrosa – necessária – correção na aparência de Sonic após a polêmica da primeira versão. A trilha sonora de Junkie XL (Alita - Anjo de Combate, 2019) é muito bem desenhada para dar vida a cada cena e temperada com elementos temáticos clássicos dos jogos do personagem, aumentando a nostalgia de quem era viciado nos jogos do ouriço desde os anos 90 e dando uma primeira experiência agradável para quem vai conhecer o Sonic a partir dos filmes. 

Infelizmente, como nem tudo é perfeito, não poderia deixar de mencionar que, apesar do bom desempenho geral, há problemas no roteiro que não o permitem alcançar uma classificação de filme excepcional do gênero: há um investimento um pouco exagerado com o status de “filme família” que compromete a experiência do público mais exigente... pesando a mão em situações e comportamentos clichês demais, típicos de sessão da tarde. Mas os prejuízos do tipo são relativizados e toleráveis em razão do carisma de Sonic e a excentricidade de Dr. Robotnik, reinventado por Jim Carrey com um ar de gênio do crime bastante performático com as tradicionais caras e bocas do ator, menos “grave”, mas não menos perigoso que o Eggman dos desenhos.

(Curiosidade: há uma espécie de correção ética no filme, quando Sonic justifica o apelido “Eggman”, ou a versão “cabeça de ovo”, pelo formato dos drones de Robotnik, e não por sua cabeça raspada, já que Robotnik ainda nem é careca nesse primeiro encontro entre os dois – Sim, pelas duas cenas pós-créditos, decididamente haverá mais encontros!!. A decisão é claramente pra evitar bullying entre o público infantil, então tudo bem, que seja). 

De modo geral, é um bom filme para início de franquia, que mesmo não apresentando conteúdo suficiente para ser qualificado um dos melhores da atualidade, não decepciona no propósito de ser um filme para assistir com os filhos, entretenimento e encanto para duas gerações. Dá pra assistir a qualquer hora, só ou com a família, e se divertir bastante em ambos os casos. Dica: espere os pós-créditos! São duas cenas intercaladas. Muita coisa ainda vem por aí!! 

  1. Trailer

  1. Ficha técnica
Título original: Sonic the Hedgehog.
Direção: Jeff Fowler.
Elenco: Ben Schwartz, Jim Carrey, James Marsden, Tika Sumpter, Neal McDonough, Adam Pally.
Roteiro: Joshua Miller.
Produção: Neal H. Moritz, Toby Ascher.
Trilha sonora: Junkie XL.
Duração: 1h 40m.
Estreia no Brasil: 13/02/2020.
Empresas envolvidas: Sony Pictures, Maza Animation, Original Films, SEGA, Paramount Animation/Pictures.

Professor de música, semioticista, crítico de cinema, comedor de cuscuz e ouvidor de baião.


CRÍTICA | Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fabulosa

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Aves de Rapina é um filme de separação, de rompimento. Isso é óbvio desde o primeiro momento em que Harley Quinn (Margot Robbie, reprisando seu papel no Esquadrão Suicida) explica através de um prólogo animado sua história como psiquiatra que se apaixonou pelo vilão mais notório de Gotham City, arqui-inimigo de Batman, o Coringa. Ela brilha através da complicada série de eventos que levaram ao fim do relacionamento abusivo. É assim que você obtém a legenda, escrita na voz intencionalmente desagradável de Harley: a emancipação fantástica de uma Harley Quinn. Até o nome da personagem é proposital para se parecer Harlequin (Arlequina em inglês). È como se ela fosse predestinada desde nascença a se intitular Arlequina.

Mas Aves de Rapina não é apenas sobre o rompimento de Harley com o Coringa, que não aparece nesse filme, a não ser por de alguns disparos extremamente rápidos em que ele nem está completamente enquadrado (vai ver Jared Leto cobrou alto para aparecer). 

O filme parece querer formar uma grande equipe com Quinn e vários outros anti-heróis da DC e uma policial rejeitada, mas, na realidade, a história se concentra diretamente em Harley e na cambada de vagabundos que querem se vingar dela agora que ela não está mais sob a proteção de Coringa. O principal desses rancorosos é Roman "Máscara Negra" Sionis (Ewan McGregor, que vocês conhecem por Obi-Wan Kenobi), um senhor do crime caricaturalmente vaidoso e possessivo, com o desejo de expandir seus negócios no submundo da cidade de Gotham. Quando Sionis captura Quinn, os dois fazem um acordo: ele poupará a vida dela se ela conseguir um diamante com segredos da máfia gravados nele. Mas aí vem o velho clichê onde na verdade ele planeja matá-la de qualquer maneira, Sionis também contrata todos os caçadores de recompensas em Gotham para correr atrás do diamante também.

E é através dessa caça ao tesouro que Aves de Rapina apresenta e reúne seus principais atores: Cassandra Cain (Ella Jay Basco) é uma descuidista que tropeça no diamante, Helena "Caçadora" Bertinelli (Mary Elizabeth Winstead) é uma assassina persegue o diamante para por motivos pessoais, Dinah “Canário Negro” Lance (Jurnee Smollett-Bell) é uma cantora que é promovida a motorista de Sionis que se vira contra ele, e a detetive Renee Montoya (Rosie Perez) que é a policial rejeitada que falei.

Infelizmente, o elenco é apresentado através de uma linha do tempo de vai e vem que revisita os eventos da primeira semana da Harley após a separação antes de retroceder nos momentos-chave para explicar como cada nova face é importante na trama. Embora o mais provável seja dar ao filme uma sensação cinética e divertida - Aves de Rapina prefere morrer do que pisar no freio. Cada personagem e performance é de certa forma vibrante e divertida, mas não tanto quanto de Harley e Sionis. Embora todo mundo seja ótimo, McGregor é o único ator que se aproxima do nível de energia de Margot Robbie, se entregando alegremente ao desempenho mais desprezível possível. 

A boa notícia é que o filme abandona essa estrutura irregular no meio do caminho, principalmente em favor de um caos inabalável. Há coisas que podem ser irritantes sobre isso - o filme não pode dar um soco sem que uma música extremamente ruim comece a tocar e ainda por cima em câmera lenta - mas há muito mais pra se gostar quando Aves de Rapina se entrega ao caos de Arlequina.

Este é um filme de super-anti-herói que não dá a mínima para a aparência de sua ação e não está interessado em confiar apenas nos CGI’s para dar um toque de cor às cenas de luta. Praticamente todas as grandes lutas do filme são coreografadas e encenadas da maneira mais interessante possível: fumaça azul e rosa enchem o ar só pra combinar com os cabelos de Arlequina, um lançador de granadas dispara bombas de purpurina, uma perseguição de carros, moto e patins, e a maior catiripapo do filme se passa em um parque de diversões. Adicione isso com o tremendo talento de Robbie para comédia física e todos os personagens com uma personalidade distinta expressa através de seu estilo de luta, e as grandes peças do filme estão entre as mais divertidas do cinema de super-heróis moderno.

Aves de Rapina trás também um certo saudosismo pois estranhamente, nos faz lembrar de Batman Forever e Batman & Robin, filmes que encaravam Gotham City como um teatro de neon cheio da arquitetura mais alta possível e personalidades ainda mais altas, e isso é de certa forma coisa boa. Certamente, o filme se inclina um pouco demais para o estilo comédia, mas com assassinatos, o que de certa forma é muito mais preferível do que o Universo Cinematográfico da Marvel, muito seguro e cada vez mais obsoleto. Tudo pode acontecer, e Aves de Rapina saboreia o caos que isso implica.

Essa energia maníaca é tudo o que mantém as Aves de Rapina unidas às vezes, e o fato de todos os seus personagens parecerem prosperar torna ainda mais decepcionante que o filme não precise de tempo para conhecê-las melhor. É quase o suficiente para atrapalhar o filme, mas em uma hora e 47 minutos de espetáculo genuinamente divertido, é difícil aguentar muito. Cathy Yan, que dirigiu o filme deu uma nova visão ao chamado Girl Power, com um trabalho realmente ótimo no desenvolvimento do longa e desse personagem tão irritantemente irreverente e ao mesmo tempo que caiu nas graças dos fãs. 

Em Aves de Rapina, Arlequina arrasa e abusa de seu charme para conquistar de novo a platéia com sua loucura e o tesão incontrolável pelo caos e pela condição de fora da lei, nos presenteando com doses exageradas de humor. Harley está sempre tentando ser boazinha dentro de suas limitações e até conversa com a gente olhando para a câmera, tipo Mathew Broderick em Curtindo a Vida Adoidado. Aí vem a pergunta que não quer calar: Vale à pena ver essa doida? Vale sim. Vai lá...



  1. ficha técnica
Aves de Rapina: Arlequina e sua Emancipação Fantabulosa (Birds of Prey: And the Fantabulous Emancipation of One Harley Quinn) – USA, 2020
Direção: Cathy Yan 
Roteiro: Christina Hodson
Elenco: Margot Robbie, Mary Elizabeth Winstead, Jurnee Smollett-Bell, Ewan McGregor, Rosie Perez, Ella Jay Basco, Chris Messina
Duração: 109 min.


Crítico de cinema e professor de inglês com 23 anos de batalha. Apesar do nome afrescalhado sou 100% macho e nordestino da gema, nascido e criado no Pirambu! Algum problema?


JOIAS BRUTAS | Confira nossa análise desse excelente filme

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Um dos filmes mais injustiçados na lista do Oscar foi 'Joias Brutas' (Uncut Gems), estrelado por Adam Sandler. Quem assistiu sabe que os motivos para essa afirmação são bem óbvios. Joias Brutas é simplesmente fantástico!

Howard Ratner (Adam Sandler) é um comerciante de joias que lida com todo o tipo de gente, negócios, falcatruas, agiotagem, produtos legais e ilegais. A medida que o filme se passa, acompanhamos toda a rotina turbulenta de Howard de forma imersiva, onde vemos um homem que faz de tudo para se dar bem todas as situações, passando por cima de princípios e da própria família para conquistar o que pretende.

Howard Ratner é o típico “enrolão”, o “gaiato”, cheio de conversa mole, o famoso “171”. Mesmo assim, é impossível não torcer por ele diante de tanto perrengue que ele passa. Perrengues esses provocados por ele mesmo, que ao invés de dar soluções simples para seus problemas, acaba acumulando mais e mais, fazendo deles uma bola de neve, o deixando a beira da morte muitas vezes.

O nível de imersão do roteiro é absurdo. Inicialmente o roteiro pode até parecer algo confuso e desacerbado, como se não tivesse um foco ou um caminho correto, mas isso faz parte da estratégia para nos colocar dentro da história. Os momentos de apreensão são tão bem trabalhados que me deixaram na ponta da cadeira muitas vezes. Destaco aqui a cena onde o astro da NBA, Kevin Garnet (que interpreta ele mesmo), fica preso na porta de segurança. Toda a agonia de quem está preso, como a de Howard em meio a lentidão de seus funcionários para resolver o problema, nos deixa na mesma sensação de sufoco e apreensão. Pense num trabalho bem feito.

Adam Sandler que por muitas vezes é criticado por seus filmes pastelões, que eu gosto mesmo assim (mas não todos), aqui dá um show de interpretação e vivacidade. Seu personagem é totalmente crível, suas aflições e sentimentos são estampados de forma verídica a todo momento. Me peguei tendo raiva de suas burrices e desonestidades, e alegria quando ele conseguia o que pretendia. O cara é um azarão e sortudo ao mesmo tempo, e Sandler faz isso com maestria.

Joias Brutas é um filme surpreendentemente fantástico e não pode ser deixado em uma lista perdida, ou ser ignorado como a academia do Oscar fez. Se você aí está na dúvida de conferir ou não, lhe aconselho que assista e se envolva nessa história frenética e cheia de interpretações quanto aos valores que damos a bens materiais, e o que o ser humano é capaz de fazer para conseguir o que quer.
  1. ficha técnica
Título original 
Uncut Gems
Distribuidor Netflix
Lançamento: 31 de janeiro de 2020
Duração: 2h 15min
Genero: Suspense, Drama, Comédia, Policial
Direção: Benny Safdie, Josh Safdie
Elenco: Adam Sandler, Julia Fox, The Weeknd
Nacionalidade Americana
  1. trailer



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HISTÓRIA DE UM CASAMENTO | Análise do filme

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Escrever a análise de 'História de um Casamento' é algo que eu me devia, e mesmo depois de tanto tempo após seu lançamento, eu precisava contar minha opinião.

Assisti ao filme em dezembro, na semana de seu lançamento, e o fiz pela simples curiosidade de ver Adam Driver e Scarlett Johansson juntos em cena, e olha, me surpreendi. A supresa não veio por causa das atuações dos dois atores, pelos quais admiro bastante o trabalho, mas pela maneira que elas foram conduzidas. A veracidade das expressões e o sentimento que eles conseguem passar a cada momento.

Apesar do título do filme se chamar ‘História de um Casamento’, ele retrata o fim dessa trajetória, e o que parece perfeito pode ser tornar algo desgastado com o tempo. De forma franca vemos os dois lados da moeda em processo de divórcio. Temos na figura de Nicole Barber (Scarlett Johansson), uma atriz talentosa que se acomodou em sua própria carreira ao trabalhar com o Marido, o diretor Charlie Barber (Adam Driver). Enquanto Nicole se sente sufocada e presa diante das situações pelas quais ela teve que se abdicar em prol do sucesso da peça que o marido dirige, Charlie se sente confortável e leva a vida como se nada o afetasse. Quem vive em um relacionamento duradouro sabe que feridas não curadas, e mágoas não resolvidas acabam por estourar um dia, e quando esse dia chega, vem junto uma enxurrada de sentimentos negativos, discussões e revelações de verdades não ditas. Essas revelações podem provocar feridas incuráveis, e é preciso ter cautela com as palavras deferidas.

No primeiro momento em que eles decidem se divorciar, as coisas começam a caminhar de forma amigável, até chegar o ponto onde um dos dois contrata um advogado, e tudo que era amigável acaba em guerra. Os conflitos envolvendo o filho são cada vez mais complicados, mas apesar de tudo o que está acontecendo, o “clima de guerra” é incentivado apenas pelos advogados, pois nos momentos em que Charlie e Nicole estão juntos, é perceptivo o quanto os dois ainda se amam, apesar de não conseguirem mais conviver como marido e mulher.

Scarlet Johansson e Adam Driver dão um show de interpretação, destacando a cena da discussão e a cena final onde Charlie lê a carta escrita pela esposa no início do filme. É de cortar o coração. Mesmo com tudo que acontece no filme, fiquei até o fim na esperança que eles conseguissem superar.

História de um Casamento é um dos melhores filmes produzidos pela Netflix, e o melhor filme do serviço streaming do ano de 2019.
Uma capa feliz e um título feliz, mas uma história de cortar o coração. É difícil tomar partido e acho que a intenção do filme nem é essa, mas sim de apresentar de forma sensível e humana a trajetória final de algo que não foi planejado para ter fim. Em diversos momentos me segurei, mas na cena que ele lê a carta dela, desceu sim aquela lágrima. 

  1. trailer

  1. ficha técnica
Título original: Marriage Story
Distribuidor Netflix
Lançamento: 6 de dezembro de 2019
Duração: 2h 17min
Gênero: Drama
Direção: Noah Baumbach
Elenco: Adam Driver, Scarlett Johansson, Laura Dern
Nacionalidade: Americana

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